quarta-feira, 3 de março de 2010

Um comentário, uma retratação.E está tudo bem! Será?

No final do ano passado, muitas pessoas que acompanham os telejornais, principalmente pela Rede Bandeirantes, ficaram ofendidas com uma declaração do jornalista Boris Casoy, após dois garis desejarem feliz natal e ano novo a todos. A declaração infeliz do jornalista foi captada por algum defeito ou erro, na transmissão e foi algo do tipo, "dois lixeiros desejando felicidades...do alto de suas vassouras...dois lixeiros...o mais baixo na escala de trabalho", ou algo parecido.Um dos garis em questão, entrou com ação por danos morais contra o apresentador e a emissora e adivinhem: perdeu; o juiz que julgou o mérito da ação considerou que o comentário não foi feito diretamente à pessoa, mas sim à classe a qual ela representa, portanto não sendo ele, o gari, sujeito direto no caso. Quanto à interpretação do magistrado, eu não tenho nada a questionar, até porque não tenho habilidades jurídicas para tanto. Meu questionamento é outro.
Diante de semelhante declaração, fico a questionar as razões que levaram o até então, respeitadíssimo jornalista, a tal atitude; atitude esta, que fez com que o âncora perdesse o carisma e a credibilidade que tinha junto ao grande público. Houve retratação, mas, de que adianta este tipo de ação, se o estrago já está feito? O que há de errado em uma pessoa exercer uma atividade menos glamurosa que outras?
No mundo atual, as pessoas passaram a conversar mais com o computador do que com o vizinho de porta, pai, mãe ou filhos. Parecem estar alheias aos problemas dos outros, parecem não se importar com o simples fato de alguém estar vivo. E isto é triste! O que existe de errado em dois garis desejarem feliz natal para as pessoas? Se tirarem o esteriótipo da profissão, eles são tão humanos quanto quaisquer outros, e só queriam, naquele momento, transmitir o sentimento de felicidade, ao qual a época nos remete.Aparentemente, algumas pessoas que estão em um nível social mais elevado, sentem-se ofendidas por serem felicitadas por pessoas, que na concepção delas, não são dignas sequer de lhes dirigir a palavra, quanto mais desejos de felicidades, coisa que talvez imaginem, os "menos favorecidos" não tenham. Muitas vezes tais pessoas vivem o amargo de uma vida infeliz e sem prazer. Algumas das pessoas mais alegres e felizes que já encontrei até hoje, exerciam ou exercem trabalhos que a maioria das pessoas rejeitaria e não se sentem piores que elas.
Pessoalmente creio que as pessoas podem até não se simpatizarem com algum trabalho, mas devem sempre lembrar-se que, segurando uma vassoura, usando um capacete, lustrando um sapato, por exemplo, existe antes de tudo um ser humano, que merece, pelo menos, respeito.

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